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o salto

Atualizado: Abr 3

O despertador impiedoso tocou pela segunda vez. Joel, que já o tinha desligado uma vez, num sobressalto, pulou serelepe da cama. Afinal, aquele era o primeiro dia dele como repórter do principal jornal da cidade de Santos.

Foram poucos minutos entre escovar os dentes, o banho e engolir o café.

Feliz, mas também preocupado com um possível atraso, fez carinho no Chuvisco, o vira-lata, beijou a mãe, que estampava uma expressão orgulhosa, apanhou sua mochila e saiu.

Apressou o passo, apesar de saber que a distância entre sua casa e a balsa não era grande.

No caminho, pensava em tudo que aquele dia representava. Um turbilhão de emoções e expectativas passava por aquela cabeça jovem e determinada.

Mas isso não impediu Joel de perceber que entre a balsa e o continente já havia uma pequena distância.

Pernas pra que te quero. Numa ação sincronizada, correu pensando em não perder aquela balsa por nada. Com agilidade, tirou a mochila das costas, arremessou-a na balsa e, em seguida, saltou.

Em câmera lenta, seus movimentos foram perfeitos. A primeira perna amorteceu a queda, o corpo rolou sobre a superfície da balsa como se fora um tatame.

Quando o giro do corpo terminou, Joel percebeu que já poderia comemorar a proeza,

Pena, a balsa atracou. Ela estava chegando.




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