Buscar

O teste vocacional

Eu já pegava onda - primeiro ‘jacaré’ depois surf - desde molequinho e, quando o mar estava ruim, a alternativa era caça submarina que meu pai, ótimo nadador, já praticava há anos com seus amigos.


Pensando no que ser no futuro, por volta de 1977 comecei a pesquisar quais universidades ofereciam curso de oceanografia.


Ele e minha mãe acharam graça. Eu não. Primogênito, iludido autossuficiente, ansioso para preencher o formulário do vestibular Cesgranrio.


Qual seria a minha praia? Primeira opção, UERJ; segunda, UFRS. Não existia nenhum outro curso universitário de oceanografia apesar da USP ter um excelente instituto de estudos oceanográficos que, todavia, ainda não conferia bacharelado.


Além de viver num balneário do Leme ao Pontal, eu havia, em 1975, passado um verão no Colégio Naval, em Angra dos Reis, do qual um primo de minha mãe, o tio Hugo Stoffel, era diretor. Velejamos, mergulhamos, remamos, pescamos.


E entre viagens para a Praia do Francês, Mambucaba, Ubatuba, Matinhos, Imbituba, um ano antes do vestibular rolou um surfari de três meses com um amigo por México, Califórnia, Havaí.

Dinheiro contado, uma prancha Ben Aipa (modelo stinger) que estreei em Makaha, uma praia na costa oeste de Oahu. Tudo errado: ondas grandes, prancha pequena. No terceiro drop, a queda, a quilha quebrada, o caldo, cortes nas mãos e nas canelas.


Dia seguinte, levei a prancha no Aipa para conserto e todo lanhado fui conhecer o Waikiki Aquarium, da Universidade do Havaí. Passei o dia lá até ser expulso pelos funcionários.


Voltando ao Brasil, não tinha jeito, iria ‘trabalhar o mar’, como disse à família e aos amigos que fizeram uma festança de recepção em Cabo Frio.


Meus pais já não achavam graça nenhuma.