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O vírus do chanceler

Gleisi Hoffmann, expoente da militância petista, costuma comparar Lula a Jesus Cristo, mas como fanatismo político não é prerrogativa da esquerda, o ministro Ernéscio Araújo também já andou comparando Jair Bolsonaro ao Filho de Deus.


Em seu discurso de posse, Ernéscio,

com aquele olhar lacrador, proclamou: ‘Gnosesthe ten aletheian kai he aletheia eleutherosei humas!’. Poucos minutos depois, disse em forma de oração: ‘Anuê Jaci, etinisemba-ê Indê irú manunhê’.


Um silêncio tumular tomou conta do ambiente. Os presentes entreolharam-se imaginando se não seriam as senhas de segurança do ministro na internet. Errado. A primeira frase era a tradução em grego arcaico de uma passagem bíblica e, a segunda, a versão em tupi-guarani de Ave Maria. Um erudito.


Outra pérola do chanceler foi a afirmação de que ‘a nova lógica da esquerda é o marxismo, mas sem as pessoas’. Ou seja, sem marxistas. Um gênio.


Olavo de Carvalho curtiu: ‘Ainda há vida inteligente no alto funcionalismo público’. Faltou a ressalva:’mas sem inteligência’.


Decididamente, não foi por mera zoação que os colegas de Instituto Rio Branco apelidaram Ernéscio de Beato Salu, em alusão ao desvairado profeta da novela Roque Santeiro.


Ultimamente, o diplomata andava sumido, mas ressurgiu em grande estilo com um alarmante artigo intitulado ‘Chegou o Comunavirus’.


O comunavirus - diagnostica Ernéscio - é o agente inoculador do ‘jogo comunista-globalista de apropriação da pandemia para subverter a democracia liberal’. Mais adiante, ele diz que ‘a China representa o modelo de Estado forte que o comunismo visa a superar.’ A China, país de origem do coronavírus, seria uma espécie de supracomunismo, segundo Ernéscio.


Até então o chanceler enaltecia ‘a determinação comum de aumentarmos a parceria econômica entre o Brasil e a China’, elogiando ‘as ideias e o dinamismo’ dos chineses e tentando botar panos quentes nas diatribes do Bananinha, que ofendera os orientais.

Ao contrário do corona e dos comunistas, Ernéscio é incurável.