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Oito homens, uma mulher e um segredo.

Atualizado: 4 de Dez de 2020

Eu, absolutamente, não devia estar contando isso.

Meus amigos Impostores não vão gostar.

Mas, tenho carregado o peso de um segredo nessas costas castigadas por dores cervicais, torácicas e lombares, por muito tempo

Foi numa tarde de março.

Neto me ligou e disse: tô sem ideia pra escrever o texto da revista.

Eu disse: você tá sem ideia? E eu que tô sem talento há mais de 50 anos.

Foi assim que surgiu a ideia de explodir livrarias.

Não para roubar livros, mas, sim, surrupiar a genialidade que se amontoava naquelas prateleiras.

Pensamos em começar com livrarias de rua, mas a logística era complicada. Talvez, as de shoppings.

Mas, éramos apenas dois.

Precisávamos de ajuda, de gente astuta, que sabe enfiar o brilhantismo de um Hemingway num saco e sair correndo.

Foi assim que se juntou a nós o Marcio Delgado, conhecido pela alcunha de “Alemão”.

De cara, garantiu que Melville era sua especialidade.

Para roubar um pouco do talento de Dostoievski, convocamos uma dupla de peso: Fabio “Genial” Fernandes e Cañadas, “el abogado del diabo”.

Mais ainda faltava alguém para cuidar dos explosivos.

Fabio sugeriu Nelson “Sinatra” Porto, que já tinha trabalhado na máfia de NY.

Ainda faltava alguma malemolência no grupo, um braço em outra região do país.

Alguém bem relacionado para nos tirar de possíveis encrencas e a capacidade surreal de se evadir com um Cortázar sem fazer alarde.

Não poderia ser outro: Helinho, O Saboya.

Vivendo clandestinamente numa região serrana, não hesitou em fazer parte da gangue.

Pronto.

O time estava formado.

Mas... quem iria afanar o amor e a dor dos poetas?

Alemão deu um gole no whisky e cravou: Zanatta.

Cássio Zanatta. O mais “Pessoa” das pessoas.

Mas ainda faltava alguma coisa: ternura?

Pero sin perder la tenacidade.

E pela porta do velho galpão abandonado, onde nos reuníamos, entrou Marina “Beauvoir” Moraes.

Agora sim.

Tínhamos tudo que um grande plano precisa.

Só um detalhe nos preocupava: como carregar o talento de um Thomas Mann, de um Flaubert, de um Voltaire?

Onde armazenar tudo isso, sem que a polícia descubra?

Por incansáveis horas, pensamos, pensamos e pensamos.

Num dia chuvoso, o brilho da brasa do cigarro iluminou o rosto e a mente de Mentor

“O Neto”, e com ele veio a grande solução:

“Esse plano é uma merda. Vamos fazer um site?”


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