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Orgulho de pai.


Hoje a Catu terminou o segundo grau.

Pronto.

Como pai, tendo minha caçula formada no colegial - sim, eu ainda falo colegial. Também falo bronzeador e creme rinse - é um motivo de orgulho pessoal.

Um erro imperdoável dos pais, achar que o mérito de formar as filhas é nosso.

É só delas.

A gente erra achando que tem responsabilidade nisso, mesmo tendo testemunhado como foi difícil para elas.

Quantas horas de estudo, quantas noites de angústia, quantas inseguranças.

E não só porque estão descobrindo que o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos, mas porque estão aprendendo a negociar afetos e opiniões.

Certezas e desconfianças.

Sensualidades e elegâncias.

Tempos difíceis esses.

Mas hoje dormirei levemente mais leve.

Porque as três estão livres dessa fase.

E eu aprendi com elas um pouco de suas personalidades.

Aprendi como uma delas estuda até chorar.

Abria mão de festas e baladas para ir bem na prova de segunda.

Aprendi que a outra odeia química e física, mas mesmo assim passava os domingos tentando entender porque cazzo o log de sei lá quanto era igual a sei lá o que.

E aprendi que Catu também é única.

Catu nunca, nem nas piores notas, aceitou ter um professor particular.

Chamou pra ela a responsabilidade de aprender o que quer que ensinassem.

Nenhuma vergonha para quem teve professor particular.

Eu mesmo, lá nos anos 70, tive o Santo Ricardo, sem o qual ainda estaria na sétima série.

É do jogo.

Mas esse detalhe fala muito sobre a Catu.

Afinal, filhas mais novas são jogadas no mundo para se virar.

Ainda mais com irmãs com idade tão próxima.

Precisam pegar o trem andando.

E Catu pegou.

Pegou e hoje chegou ao seu primeiro destino.

Brilhantemente.

Muitos outros virão, filhota.

Então não existe mérito para os pais.

Existe alívio.

Existe paz.

Existe orgulho.

De vocês três, Manu, Oli e Catu.

Mas hoje é o dia da Catu.

Partabéns filha!

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