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Pandemia

Num sonho pirotécnico, queimo meus navios, rompo com o mundo, um desvario poético e libertador. Anoto as palavras roubadas e leio para mim mesma, acordo e me dou conta de que ainda estou sonhando. O sujeito inconsciente me convida a aventuras de outra forma impossíveis. Pulo a janela alta, caio de pé e me dando conta do meu feito, corro pelo jardim rindo alto como só as crianças e os loucos fazem.

Vou pela rua, no sol quente, parando para conversar com outras pessoas desamarradas como eu e observo que não temos sombra. Penso que talvez estejamos todos mortos. Livres.

E então, sei que estamos numa cela coletiva. Cada um, seus crimes, sua pena. Confessamos uns aos outros nossas maldades e nossos planos para a eternidade na prisão. Ergo os olhos e digo que vou acompanhar a vida das flores pela janela lá no alto e isso me dá uma sensação boa de esperança. Respiro fundo.

Vou tentar guardar essa sensação comigo até o fim.

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