Buscar

Parei de escrever.

Começou assim, de uma hora pra outra, do nada.

Eu me sentava em frente ao computador e, ao me aproximar do teclado, as letras fugiam.

Que estranho.

Era eu ameaçar escrever e pronto, começava a fuga.

O A, o Q, o Z, o S, o D, o W , o E, o R fugiam pra esquerda numa desabalada carreira.

Do outro lado o P, o O, o L, o K, o M, saiam pela direita.

Pra minha surpresa, o ponto, os dois pontos, as aspas, a vírgula, aproveitavam a confusão e dispersavam também.

Até o H, o M, o B, o N, que eu uso tanto pra escrever meu nome, saíam disfarçando.

Quando perguntava o que estava acontecendo, a interrogação se escondia debaixo do teclado.

A turma de cima também: porcentagem, circunflexo, asterisco, parênteses. Que decepção.

O til e a crase não preciso nem dizer. Se juntaram com o “escape” e... área.

Me lembro que corri atrás do cifrão que pulou pra baixo da mesa. Desisti. Afinal, fiz isso a vida inteira.

Durante dias, semanas e meses, aquilo se repetiu.

Era só eu me aproximar e o “return” avisava os amigos: - olha ele voltando!

Um dia, aborrecido, sentei e fiquei olhando aquele teclado vazio. Nem o “option” tinha ficado.

Entendi tudo e parei de escrever.

44 visualizações1 comentário

©2020 by Os Impostores