Buscar

Por trás dos gozados impostores

Marcio Alemão escreveu dia desses sobre os bastidores do nosso grupo de WhatsApp. Inventou uma mentira aqui, soltou uma verdade ali, mas não mencionou - por razões óbvias - a maior característica daquele espaço privado, que consiste basicamente na gritante diferença de perspicácia, ironia fina e rapidez de raciocínio que há entre nós.

Por exemplo. Não há uma só piada, por mais fácil que seja, que o Neto entenda de primeira. Já criei o hábito de fazer a piada e na sequência postar uma explicação básica pensando nele. É chato, mas necessário.

Há no outro oposto o Helinho, que ri de toda e qualquer coisa, por mais sem graça que seja. Tenho pra mim que ele tem vergonha de dizer que não entendeu, mas enfim, não deixa de ser uma boa tática de evasão, vício de advogado.

O Hermes, ah tadinho... Quando o Neto o trouxe para o grupo, avisou-nos que ele tinha um humor, digamos, peculiar. Mas a verdade é que suas piadas deixariam Dedé Santana corado e fariam do Bruno Mazzeo uma pessoa engraçadíssima. Realmente impressiona pela falta de talento para o riso.

Já o Fábio é um caso à parte. Ele normalmente é o único que ri das minhas piadas, o que não deixa de ser um sinal de inteligência. Mas por outro lado, são inúmeras as vezes em que ele se perde em questões paralelas da narrativa, só para dizer que não concordou com a piada. Eu tento explicar que piada não é opinião pra se concordar ou discordar, mas ele simplesmente não desiste. Dia desses mesmo, de tanto que insistiu, eu mudei o nome da personagem principal de Manoel para Joaquim. Ele tentou argumentar com a rima, com a “luz” da letra J e sei lá mais o quê, nada que fizesse sentido. No final, assenti por puro cansaço.

O Nelson é um oásis de luz nessa escuridão. Ele tem piadas bem colocadas, temas propícios, uma verve realmente equilibrada. Sempre que consigo ler uma mensagem antes que ele mesmo a apague, é riso garantido.

Deixo para o fim o simplesmente constrangedor Márcio Alemão. Tentei por meses procurar alguma graça nas coisas que ele fazia, mas como bom mágico que é, escondeu-a tão bem que ninguém jamais encontrou. E ele nunca, absolutamente nunca, ri de nada que seja realmente engraçado, o que faz sentido se considerarmos as graças que ele faz. Enfim, o sujeito ainda vai ser roteirista de programa de humor na Record, anotem aí.

Olha, eu sei que parece estranho terminar concluindo que, em meio a um mar de publicitários, eu, advogado, seja disparado o mais engraçado e com mais talento para o humor desse grupo.

Mas é exatamente assim que é.

93 visualizações7 comentários

©2020 by Os Impostores