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Procura-se um boi de piranha. Lula serve.

Atualizado: Jun 2

A esta altura nós já aprendemos várias coisas.

Que se a família Bolsonaro não se destaca exatamente pelo intelecto, por outro lado seus integrantes têm experiência e confessa admiração pelas Forças Armadas, onde, mais importante que pensar é obedecer.

Se jamais seriam capazes de elaborar o plano de poder ensinado por Steve Bannon, a quem contrataram e a quem seguem pagando pelo acompanhamento, passo a passo, nesta evidente escalada do autoritarismo no Brasil, têm sabido implantá-lo, dia a dia, ponto a ponto, bem debaixo das nossas barbas, mesmo que esperneemos com alguma veemência e pouco efeito prático.

Também aprendemos que boa parte da tática ensinada na cartilha de Bannon reside em provocar, esticar a corda, esgarçar os limites e voltar atrás quando as críticas aparecem em número alto e volume estridente.

É quando o presidente surge em discurso conciliador, aparentando austeridade, repetindo frases prontas sobre democracia, respeito às instituições, união pelo Brasil, compromisso com a liberdade de imprensa, e todo o monte de mentiras que nem a militância fascista acredita.

Tem o efeito de reestabelecer, por alguns dias, ou algumas horas, aquela sensação de

ah, bom, pelo menos ele se desculpou, entendeu que passou do ponto e a agora vamos todos poder ser felizes acreditando que dias melhores virão.

Claro que não.

Apenas se instalaram em uma nova trincheira, mais adiante, encurtando cada vez mais o caminho.

Outra coisa que aprendemos é que não há ministros em Brasília.

Há um grupo de militantes ideológicos, gente comprometida com o atraso e com a barbárie, pessoas muito próximas da sociopatia e de outras patologias que lhes afeta o caráter de modo incurável, aparentemente.

Aprendemos que um presidente não modifica, sem segundas intenções, uma norma cuja responsabilidade é exclusivamente do Exército, e passa de 250 ao ano, para 600 por mês, o número de cartuchos cuja compra é permitida, para pessoas com porte de arma aprovado, uma documentação cada vez mais descomplicada e mais rápida de ser conseguida.

Arrisco dizer que as 3 milhões de pessoas que tiveram seus pedidos de Auxílio Emergencial negados por falta de documentação que comprovasse suas simples existências, conseguiriam, muito mais facilmente, comprar armas e munição do que 600 reais de subsídio para comer (fica aí a dica para matéria na Rede Globo ou em outra emissora "lixo", como a cartilha fascista manda batizar a imprensa que ousa noticiar).

Na reunião ministerial, na qual também aprendemos que quem comanda os destinos de 210 milhões pessoas deve xingar, cuspir, constranger, bravatear e não se importar minimamente com os destinos de 210 milhões de pessoas, ficou claro com que intenções o presidente quer armar sua militância.

Aprendemos mais.

Por exemplo, aprendemos que todas as vezes que o presidente não pode dizer algo, o diz através de seus filhos, dos robôs que eles controlam e dos militantes que os seguem com um simples soar de seus berrantes digitais.

Sempre que quisermos saber o que pretende o homem posto na presidência, basta ouvirmos o que diz o "gabinete do ódio".

Ele funciona como cenas dos próximos capítulos da novela; como uma equipe de fórmula 1 ou um laboratório de testes para projetos que logo estarão nas ruas.

Com o que aprendemos, portanto, podemos afirmar que o projeto da extrema-direita do Brasil, cada vez mais claramente apoiada por grupos nazistas, milicianos inspirados na luta armada ucraniana, ultra-direitistas antissemitas e racistas, toda a sorte de movimentos violentos de brancos supremacistas que jamais são alvo de recriminação pelo presidente, está entrando em suas últimas fases.

As primeiras foram a demonização da "velha política", o populismo cristão e patriótico, as promessas do fim da criminalidade, a desmoralização de todas as instituições democráticas (imprensa, política, Justiça, governos regionais, lideranças não alinhadas com os valores e interesses que propagam), passando pela apropriação de todos os símbolos nacionais e pelo discurso de ódio que dividiu ainda mais o Brasil, separando os cidadãos entre os que apóiam Bolsonaro e o defendem a despeito de todas as evidências, ou os seus críticos, imediatamente tratados como inimigos perigosos, comunistas, petistas, oportunistas e bandidos.

O golpe final começou a ser ensaiado este domingo.

Povo contra povo - armado primeiro com pedras e tacos de beisebol.

Em breve aparecerão as primeiras armas de fogo, empunhadas por gente doente como a tal Sara Winter e seu grupo paramilitar, 300, inspirado pelos fascistas da Ku Klux Klan e pelo movimento das milícias guerrilheiras da ultra direita da Ucrânia, ou jovens musculosos de movimentos neonazistas, sempre bem-vindos nas manifestações apoiadas sem restrições pela família Bolsonaro, que hoje não parece mais do que um bando de malucos que gritam palavras de ordem sem ritmo ou sem rima na porta do STF.

Não se enganem, pandemias começam assim.

Num país que pouco produz anticorpos contra a ignorância e a estupidez, quando finalmente nos dermos conta do real tamanho da contaminação nos nossos vários tecidos sociais, já será tarde.

Então o que falta para o embate final?

Bolsonaro sabe que ainda está distante de ter ao menos metade do país na mão.

Também sabe que o movimento dos 70% contra seu governo, acaba de surgir para lembrar ao país, e ele próprio, exatamente disso.

Por isso provoca e recua, bate e sopra.

Vai construindo a narrativa do vitimismo, da ditadura ao contrário, do torniquete a que estaria sendo submetido em seu governo que quer reformar, quer trabalhar, quer progredir, "quer surpreender", nas palavras de Guedes, mas "a velha política", o STF, a imprensa, a oposição, os artistas, já já os negros, os gays, não deixam.

Com o cenário pronto, agora precisam dos velhos e amedrontadores inimigos.

E começam a chamá-los para dançar.

Como em 64, o argumento é a ameaça vermelha.

Calada, ela não os ajuda.

A senha está clara: precisam de PT, Psol, PSTU, UNE, os artistas, os jovens das classes baixas, negros, gays e os movimentos sindicais nas ruas.

Sobretudo, Lula.

Essa é a deixa para a "revolução", ao melhor estilo Hugo Chávez, eclodir.

Aí sim, com o apoio maciço de uma classe média conservadora que, até com razão, não quer ver nem a sombra dos quadros daquele PT velhaco e interesseiro dando as cartas de novo por aqui, dando pretexto até para o Exército não fazer muito esforço para evitar o confronto.

Por isso a cartilha Bannon manda manter Lula e o PT vivos no imaginário do povo.

Resta saber se Lula vai entender o roteiro e decidir não participar dele.

Ou se vai morder a isca cada vez mais acintosa jogada em sua direção.

E virar boi de piranha.






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