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Propaganda na pandemia

“Sairemos dessa”, “tudo vai passar”, dizem todos os comerciais ao venderem seu peixe.


E tome de criatividade no “reposicionamento da marca”.


”Achatamos a curva do preço do seu zero km”, “Venha fazer um test drive do corolla e, na compra, ganhe um teste de corona“ anunciam as concessionárias.


“Ei, empreendedor, quer respirar? Oxigene seu negócio conosco por uma taxa de 0,1% ao mês ou você vai acabar entubado pela concorrência”, “Faltam médicos nos hospitais, mas nossos gerentes estão a postos no seu banco“, dizem as instituições financeiras.


“Não importa o tamanho de sua casa, seu telefone é móvel e, ao contrário da geladeira, é fácil de carregar. Não vá para rua.”, “Ah, Ah, Ah, Ah, Stayi’n online, Stayi’n online” (com sonora do Bee Gees), propagandeiam as operadoras de telefonia.


Vale para quem está em isolamento total, distanciamento social ou em congraçamento geral. Vale também para o saradão que corre na praia e para o paciente da UTI, que até ontem dividia o respirador com o belo tipo faceiro que, de COVID, morreu a seu lado.


Falando nisso, a alta da demanda não justifica o acanhamento do aquecido setor de serviços funerários. Os jornalões bem que podem reduzir o custo do espaço dos anúncios fúnebres, cujos preços continuam pela hora da morte.


Já os papa-defuntos lançar uma campanha que ofereça, como rito de passagem de seus entes queridos entre o hospital e o cemitério, a escolha do contêiner refrigerado: Maersk ou Hamburg-Süd?



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