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Reseñas do Cañadas #5


A Gargalhada de Sócrates, de Nelson Moraes Alves


Às centenas de leitores que mandaram cartas e mais cartas à redação queixosas do longo interstício desde a última reseña, podem ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto, porque eu tô voltando.


Conheci Nelson Moraes há uns quatro anos, por seus escritos no Facebook. Só bem posteriormente vim a saber ser ele um dos autores de blogs de priscas eras quando tudo ainda era mato na internet brazuca, como o Almirante Nelson e o Blog de Papel.

Antes disso, já percebia no sujeito uma pena realmente fina, que se esmerava em escrever – mesmo em posts de redes sociais - muitíssimo bem e buscando sempre escapar do óbvio, fosse qual fosse o assunto.


De modo que a extrema qualidade dessa obra, seu primeiro romance, não ser exatamente uma surpresa para mim.


Em resumo, o livro traz a história de uma série de encontros entre o comediante grego Aristófanes e o célebre filósofo Sócrates, quando este aguardava, já preso, pela execução de sua pena capital. Há basicamente dois motivos para os encontros: a criação de uma nova peça pelo comediante sobre o filósofo; e o desvelamento de uma série de assassinatos.


Como disse Sérgio Rodrigues, colunista da Folha de São Paulo: “O livro tinha tudo para dar errado e não dá”.


Muito pelo contrário. Além de absurdamente bem escrito, o romance de Nelson é uma delícia do começo ao fim. Faz rir, faz refletir e faz sobretudo não se desgrudar os olhos e atravessar uma madrugada em claro em busca do final. Palavra de quem fez isso.


Se fôssemos categorizar, diríamos que é um romance policial em forma de sátira, exatamente o estilo teatral preferido de Aristófanes, com um enredo criativíssimo, permeado de filosofia de verdade e, sobretudo, de uma discussão atualíssima sobre o papel do humor em nossa sociedade.