Buscar

Retratos de uma manhã de domingo em São Paulo.

Atualizado: 5 de Ago de 2020

O sujeito saiu para correr logo cedo, num bairro muito arborizado de São Paulo, ali, perto do Jockey.

É um bairro onde, fora travestis, têm muito pouco pedestre, já que não tem muito comércio de rua.

Mas o sujeito decidiu correr de máscara.

Fico imaginando a dificuldade que deve ser absorver o ar, correndo, com um pedaço de pano tapando a boca e o nariz.

Está certo que é lei.

Mas precisa mesmo máscara nesse caso?

Não dá para levar no bolso e só na eventualidade de alguém se aproximar, ou dele precisar parar para falar com alguém, colocá-la?

Ou será que o sujeito realmente acredita que existem coronavírus por aí, flutuando no ar?

Interrogação.

Eu não usaria máscara nessa situação.

Mas não sou um bom exemplo, porque não desligo o celular quando o avião vai decolar.


...


Paro para comprar carne no DeBetti.

No estacionamento que ficou famoso na época que o Ilha das Flores lotava, uma Ferrari está estacionada.

Eu devo ter uma reação inconsciente de inveja de quem tem Ferrari, porque toda vez que vejo uma, fico irritado.

Lembro do meu ex-sócio, Calainho, que uma vez falando sobre a diferença entre cariocas e paulistas, garantiu:

”No Rio, ter uma Ferrari é dar atestado de babaca. Em São Paulo é chic.“

Minha possível inveja não me deixa achar chic ter uma Ferrari em São Paulo. As ruas cheias de lombada, trânsito e buracos devem deixar o carro muito triste por jamais conseguir acelerar mais de 200 metros.

Essa Ferrari ainda por cima é azul.