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RIP Ironia

O zero e um binário é muito bem explicado por Bill Gates, há duas décadas.

Ele usa como exemplo um interruptor de uma lâmpada, comparado com um dimmer.

O interruptor é binário.

Liga ou desliga.

O dimmer não. O dimmer faz o ajuste fino da corrente, possibilitando infinitas voltagens e tons na iluminação.

Computadores, são binários.

Algoritmos são, em última análise, interruptores.

Começou com a polarização política.

Graças ao algoritmo das redes sociais que prioriza conteúdo que concorda com o que você pensa, aos poucos a opinião política foi se depurando para os extremos.

Para o zero e um.

O algoritmo, afinal, não regula as infinitas voltagens das opiniões.

O algoritmo é maniqueísta.

Combinado com o botão de like, que também é binário, os braços da polarização começaram a abraçar outros assuntos, além da política.

E as opiniões passaram a ser também binárias.

O politicamente correto é binário.

Como consequência, a ironia naufragou lentamente.

Porque a ironia é dimmer.

Ironia precisa de sutileza para existir.

Não há mais meio termo.

A regra dos novos tempos é apenas concordar ou discordar.

Ironia, hoje, é politicamente incorreta.


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