Buscar

Como ser positivo e otimista quanto ao novo ministro - ou Salve-se quem puder!

Atualizado: Abr 18

Bolsonaro conseguiu o que queria no dia, na hora e do jeito que não queria.

Está claro que queria antes, muito antes.

Mas como não manda nada em Bananândia, não teve autorização nem peito para mandar embora seu melhor ministro quando bem entendeu mandá-lo.

E o que se viu foi um presidente esvaziado fazendo uma coletiva para anunciar uma notícia requentada e fedorenta.

Certamente ele não contava com o cinismo do futuro-ex-possível-iminente-futuro-ex-Ministro que, tal qual um Paulo César Pereio provocou a sede até não poder mais e, aí, combateu com Teen (ok, se você tem menos de uns 45 anos não vai entender essa nem a pau, mas tinha uma campanha de um refrigerante onde o Pereio morria de sede no deserto até encontrar uma garrafa de Teen e, ao invés de bebê-la imediatamente, comia uma batata frita para "provocar a sede").

Mandetta não queria pedir demissão e conhecia o tamanho do pavio do presidente (com trocadilho, por favor).

Já não estava mais nem aí para o ministério, mas não queria se despedir dele passando a impressão de que abandonou o barco.

Aí provocou a sede no Fantástico de domingo e, eureka, o bananão fisgou a isca direitinho, até porque era isso ou virar o superbananão para sempre.

Mandetta é político, não nos esqueçamos.

E político é assim mesmo, só quer uma boa oportunidade para ficar embaixo de um holofote, tirar muita foto, dar muita entrevista e se arrancar rápido antes que sua popularidade comece a baixar.

No caso dele, com o agravante de ter entrado na mira do gabinete do ódio, gangue comandada pelo criminoso Carlos Bolsonaro, o único vereador do Rio a dar expediente em Brasília e o único eleito para trabalhar como vereador, mas que, por ter um pai presidente, acha que é co-presidente - aliás, já que o irmão Eduardo também é presidente, nesse caso os dois são co-co-presidentes.

Ok, bola pra frente.

Mandetta quem pode, obedecetta quem tem juízo.

O ex-ministro se arrancou na hora certa, para ele.

Sabe que o burro está empacado no lodaçal do seu pseudo-governo e que daquele mato não sai mais cachorro - muito menos asno.

Então, antes que comprometesse toda a surpreendente popularidade que alcançou, passou a régua e pediu a conta.

E a Suderj anunciou a substituição.

Na beira do campo, quicando de alegria, fazendo sinal da cruz e arrancando tufinho de grama, entrou "Doutor. Nelson", que é o nome pelo qual ele é solenemente anunciado pelo Banana-em- Chefe da nação.

Aparentemente não tem sobrenome, o Doutor Nelson.

Vi, como a maioria de vocês, seu rápido discurso de posse.

Talvez se chame Doutor Nelson Lero, parente próximo do Rolando.

Falou, falou e disse coisa alguma.

Enfim, é consultor o cara, né, sabem como é.

Aliás, dizem que tem uma empresa chamada Teich Health Care (acho que Teich é Lero, em alemão).

Basta dar um Google para descobrir o que é e o que faz a empresa de consultoria do novo ministro.

Nada.

Ou o meu Google está com defeito, vai saber.

Mas uma coisa importante pude depreender do discurso do Doutor Nelson (estou começando a gostar disso, tipo Seu Jorge): ele acha que "o Ministério da Saúde tem que trabalhar com informação" e não com empirismo e emoções.

E que as decisões sobre distanciamento social ou não, devem ser tomadas à partir dessas informações.

Achei isso genial, quem poderia pensar nisso?

Digo, no planeta inteiro, imaginem, todos os países a partir dessa declaração começando agora a determinar isolamento social, quarentenas e lockdowns baseados em informações - brilhante.

A outra coisa bastante marcante que ele deixou claro é que precisamos testar as pessoas no Brasil "em massa" e isso que vai definir os próximos passos sobre como iremos lidar com a covid-19.

Aí lacrou, o Doutor Nelson.

Caraca, velho, a gente cheio de dinheiro, cheio de tempo, cheio de tecnologia para testar as pessoas e, meu, o Mandetta e o resto da turma simplesmente esqueceu disso?!?

Não sei se vai ele é adepto da gente morrer na horizontal ou na vertical, ao contrário do presidente da espelunca nacional, que tem certeza de que de quatro é muito melhor.

Doutor Rolando Nelson falou logo depois do dono do Bananal afirmar que o certo é as pessoas ficarem em casa para se prevenirem e não colapsarmos o sistema de Saúde e irem para as ruas porque principalmente os pobres e os 32 milhões de trabalhadores informais não podem nem aguentam ficar em casa, sendo que é isso o que ele está falando desde o começo, e que ele sabe que a doença é séria (até em ex-atleta) e morrer de fome também é e que o Mandetta entendeu isso, mas não entendeu isso e defendeu outro ponto de vista que era esse que era igual e diferente do dele, presidente da república das bananas loucas.

O fato do Doutor Nelson ainda estar no púlpito no próximo momento em que a câmera o enquadrou me deu a sensação de ele pode não ter bom preparo físico para corridas de alta velocidade ou ser surdo, embora eu desconfie que, nesse caso, saberia entender aqueles 15 caras que traduzem libras agressivamente ao lado daquela turma que o que fala, não se escreve.

Enfim, fiquei confiante.

Agora já vejo o fim do gigantesco problema causado pelo coronavírus.

Imagino que deva acontecer alguns minutos depois que acabar o Brasil.


92 visualizações9 comentários

©2020 by Os Impostores