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Saudades de um japa!

Atualizado: Jun 1

Na entrada somos recebidos por gueixas de quimono, que nos apontam onde deixaremos os sapatos (cheque a meia, parceiro). Impera o chulé.


O tatame é duro, a mesa é baixa e afiadíssimas espadas samurais (日本刀 ou nihontō) pendem sobre nossas cabeças.


Sushiman rodopiam amoladíssimas facas Ginsu a poucos milímetros das pessoas sentadas no balcão, em uma ameaçadora coreografia que faz com que não nos esqueçamos nunca de depositar a gorjeta no gato-cofrinho que, cinicamente, nos acena do canto.


Os guardanapos são enrolados falicamente e têm ereção em contato com água quente. Podem produzir mais queimadura que água viva.


O saquê transborda do massu. O recipiente quadrado era utilizado pelos camponeses para comer. Obviamente, não há quem não se lambuze. É como beber em prato.


Oferecem-nos pauzinhos para travarmos disputas por cada peça de sushi ou de sashimi. À medida que vão minguando as opções no barquinho, a falsa cerimônia do ’escolhe você’ dá lugar a olhares rancorosos. Hashis podem virar armas.


Num jantar japonês a opção de deixar o melhor para o final equivale e cometer um harakiri gastronômico. Você pode estar a dois que vai dançar.


Eu só quero voltar a comer em paz. Olhos ardentes de wasabi, respingos de shoyo na roupa, meia dúzia de grãos de gergelim irremovíveis entre os dentes.


A conta salgada e o peixe, mais que cru, vivo. Vivo e puto da vida.


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