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Tá com medo, Tabaréu?

Atualizado: 31 de Jul de 2020

Meu último post foi sobre uma viagem a Santana do Acaraú, no Ceará.

Essa viagem durou cerca de um mês e é cheia de histórias.

Aliás, o ano de 1979, pra mim, foi bastante significativo e cheio de histórias.

Mas, como disse no post anterior, éramos adolescentes e levávamos na bagagem apenas máquina fotográfica, livros e pouca roupa.

À noite, havia dois bailes em dois clubes diferentes.

Quando me refiro a clube, no sertão do Estado do Ceará, quero dizer uma quadra esportiva coberta.

Um clube da Arena e outro do MDB. Os dois únicos partidos permitidos na ditadura.

Para entrar nos bailes exigia-se um traje esporte fino, algo como um paletó, um blazer.

Não fui informado disso em nenhum momento pelo meu querido amigo Mima.

Na cidade, não havia nenhuma pessoa do meu tamanho que pudesse emprestar. Até que alguém lembrou: o Padre.

Partimos, então, para a igreja em busca do paletó do Padre.

Não vou descrever a fila de pobres miseráveis que esperavam por um prato de comida na porta lateral da igreja, para não mudar o clima dessa história.

Mas o Brasil é um país para fortes, porque a cena já seria difícil de engolir se estivéssemos numa guerra, que não era o caso.

Bem, o Padre trouxe o maior paletó que ele tinha. Quando experimentei, me senti o Maguila, o Gorila.

Parecia estar vestindo um bolero feminino.

O importante é que, agora, eu tinha o passaporte para aos bailes. Apertado, mas tinha.

Mas, qual dos bailes escolher? MDB ou Arena?

Alternamos dia um, dia outro e assim foi durante algumas noites.

Os hits (no Nordeste) da época eram “Ela deu o Rádio”, do genial Genival Lacerda e “Tá com medo, Tabaréu” ou “Melo da Pipa” que eu não sei de quem é.

No primeiro baile me engracei com uma garota. Na noite seguinte, com outra e na terceira, com outra.

O problema é que no dia seguinte, essas três moças passaram dentro do mesmo carro e me acenaram na rua.