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Texto a ser lido na presença de um advogado




Eu não queria ofender nenhum caiçara, longe disso, tenho bons amigos nascidos no litoral, mas convenhamos que só os índios são mais indolentes, aquela coisa de rede, banho de rio, cachaça e coisa e tal.

Se bem que tenho encontrado aqui mesmo, em São Paulo, particularmente entre os imigrantes nordestinos, essa aversão ao trabalho. É do sangue, da raça, nem adianta a gente tentar mudar. Não que eu concorde com racistas, longe de mim, acho qualquer forma de preconceito um horror, apenas acho que um homem de cor não deve se casar com uma legítima descendente da aristocracia europeia. Não sei se me fiz entender, acho o fim essa coisa de negrinho e loira se juntando. Dá ânsia em qualquer um, é ou não? Cada um no seu quadrado, já dizia a sábia melodia.

Dia desses, um casal gay foi agredido em plena luz do dia na Avenida Paulista. Absurdo total, coisa de selvagens. Acho que os gays também são gente (vai: uma gente bem complicadinha), não podem ser tratados assim. Claro que ver dois homens ou um casal de mulheres se beijando na rua é coisa que faz qualquer um perder a paciência. Isso é coisa que se faça em público? Não veem que são uma aberração, que só deviam fazer essas poucas vergonhas entre quatro paredes, e das bem grossas?

É o que dá essa coisa de democracia. Não, não defendo a volta da ditadura, mas que com os militares a coisa era outra, era. Havia ordem. Havia progresso. Aqui é Brasil, porra.

Outra coisa: as mulheres andam exagerando nessa questão de vida profissional, não? O que elas querem, afinal, virar um homem? E a feminilidade, onde fica? Certas funções são clara e exclusivamente masculinas, como postos em diretorias, presidências e afins. Remuneradas com salário mais alto, claro. Como é feio uma mulher mandando, impondo ordens, particularmente se for loira, com certeza tomando decisões erradas devido ao baixo QI inerente à espécie. Não concordo com essas almas toscas que dizem que lugar de mulher é na cozinha – há sempre um programa de auditório à procura de dançarinas.

Alemães? Nazistas. Franceses? Fedidos. Italianos? Carcamanos. Cariocas? Malandros. Mineiros? Sovinas. Judeus? Idem. Argentinos? Esnobes. Gaúchos? Quase argentinos. Só se salvam os caipiras, e, mesmo assim, só os como eu: que vieram para a capital bem cedo.

(Devia existir um sinal ortográfico que indicasse que o texto a seguir é uma farsa, pura provocação, o contrário do que o autor realmente pensa. Algo que iniciasse a frase, já deixando claro, como aquele ponto de interrogação de cabeça para baixo da língua espanhola. Proponho um §. Aceito sugestões.)

§Para finalizar, sugiro uma solução prática e definitiva: pegar esses intolerantes aí e fuzilar todos.




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