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Torquato Neto

eu sou como eu sou

pronome

pessoal intransferível

do homem que iniciei

na medida do impossível


eu sou como eu sou

agora

sem grandes segredos dantes

sem novos secretos dentes

nesta hora


eu sou como eu sou

presente

desferrolhado indecente

feito um pedaço de mim


eu sou como eu

vidente

e vivo tranquilamente

todas as horas do fim.


O Torquato Neto escreveu esse poema/música lá pelo final da década de 1960. Suicidou-se em 1972. Deixou uma obra assustadora de linda. Eu devia parar por aqui. Mas aí eu pergunto: por que cazzo a gente da minha idade - os rebeldes idosos que desafiam as regras pelas ruas em tempos de quarentena - não resiste e cai na vala comum da comparação? Que porra tem a ver Torquato com Anitta, Tropicália com Funk? Vê se aprende, Marcio Alemão. Isso não se compara. Se analisa, se discute e, por fim, é inevitável, se lamenta.

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