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Um Alemão, um Turco e dois Portos

Atualizado: Jul 22

Leitor voraz de colunas sociais e colecionador de revistas de celebridades, Marcio Alemão - nosso ‘Impostor do B’ - pediu outro dia em sua página do Facebook ‘Mais Ibrahim’, expondo sua saudade pelo pioneiro do colunismo social, Ibrahim Sued, também conhecido como o ‘Turco’.


De tudo - e não foi pouco - que Ibrahim fez, nada superou o fato de haver inspirado Sérgio Porto a criar o seu maior detrator, Stanislaw Ponte Preta.


Sérgio, que pela verve e pelo sobrenome só pode ser parente do Nelson Porto, que volta e meia o cita, morreu em 1968.


Pouco depois, amigos como meu pai, Carlos Lemos (do JB), Borjalo, Millor, Rubem Braga, Nelson Motta (pai do Nelsinho) entre outros, travaram uma árdua batalha para batizar com o nome dele a rua em que os três primeiros moravam no alto da Gávea, o que não era do agrado dos Bolsonaros de então.


Nenhum desses moradores daquela bucólica ruazinha de terra na qual cacei muito passarinho com uma espingarda de chumbinho Rossi, está vivo.


Hoje a rua tem calçamento, guarita, cancela e até passarinhos, mas por crueldade do destino o seu mais ilustre morador é o ex-deputado Eduardo Cunha que, por alguma maldição relacionada à numerologia (a casa dele é a n°171) acabou em Bangu 1.


Voltando à homenagem, Ibrahim procurou desde o prefeito Negrão de Lima até o presidente Medici contra o batismo.


Pudera, a afiada cimitarra de Stanislaw não perdoava o Turco. Em uma antológica e devastadora provocação na sua estréia como colunista, Sérgio Porto apresentou seu alterego assim:


‘Tremei cronistas menores, moçoilas que volitais em nossas ribaltas, regozijai-vos! Eis que cá está o mais vivo dos Ponte Preta, o mais fero dos colunistas, o mais noticioso dos noticiadores. Nada puderam contra mim as manobras golpistas que tramavam a derrubada daquele que representa a vontade popular. Stanislaw, exilado em si mesmo, para evitar despesas de viagem, esperou o momento oportuno e aqui está, para gáudio de seus leitores, empunhando sempre em defesa do interesse comum, a sua intemerata e brilhante pena: uma intimorata Remington semiportátil! E após esse intróito tão impregnado de modéstia, no estilo dos colunistas modernos, Stanislaw passa, muito a contragosto, a falar dos outros!’


Ato contínuo, desferiu o seguinte golpe no Turco:


‘Imaginem vocês que Ibrahim – agora em viagem pela Europa, para desmentir definitivamente a máxima ‘quem viaja aprende’ – vem de publicar uma notinha das mais importantes. Diz o mestre de Jeff Thomas, o inspirador de Pouchard, que andou conversando com o Duque de Windsor. Para castigar um pouco de modéstia no seu escrito, o famoso dramaturco explicou que não conversou em português, o que, aliás, deve ser verdade, pois o duque fala um pouquinho de português, mas Ibrahim não’.


O autor do Febeapá qualificava Ibrahim como ‘a ignorância mais bem paga do país’.


Mas o Alemão e o Porto têm razão em algo: o colunismo social nunca mais foi o mesmo sem Ibrahim e a crônica humorística, sem Stanislaw, também não.

E, sim, posso dizer que fui morador da Sérgio Porto.


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