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Um cão de rua disse adeus.

Atualizado: Ago 23

Faz tempo que ele chegou.

Sempre na mesma ladeira, sobe e desce.

No começo, lépido, briguento e feio.

Agora, só feio.

É um velho cachorro de rua. Um sem-teto.

Os olhos vidraram. As pernas mal aguentam o frágil corpo.

Mas Preto não está sozinho.

Diariamente, 17 horas em ponto, monta guarda na porta de Eliane.

Recebe comida, água, afagos e palavras de carinho.

Mas convidado a entrar, rosna indignado.

Honra o seu título de cão de rua.

O seu lugar é o asfalto, as quebradas, as latas de lixo, as portas dos botecos.

Preto nasceu assim.

E no sábado frio Preto disse adeus. E deixou um vazio nas latas de lixo, nas portas dos botecos, nas quebradas, no asfalto e no coração de muita gente.


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