Buscar

Uma coisa estranha chamada rua.

Sei lá quanto tempo estou de quarentena.

Talvez possa ser medido pelos cabelos (ralos) que crescem para o lado.

Mas resolvi ir à farmácia. Ninguém (ou seja, Beth) consegue me demover.

Ponho a máscara com a habilidade de Jair Bolsonaro. Estou paramentado.

O porteiro faz uma brincadeira de mau gosto: “ainda mora aqui, seu Nelson”?

Relevo. Saio.

O primeiro impacto é forte.

Então rua é assim? Ando meio metro e a máscara já me incomoda. Mas sigo firme. Tenho a impressão que as pessoas olham para mim com medo de um idoso de risco.

Tudo muito estranho. Um mundo de mascarados com exceção da dona da banca de jornal que traça um eski-bon.

Aos poucos me enturmo com os mascarados. Meio assim uma sociedade secreta. Os taxistas acenam.

Chego à farmácia meio sem fôlego mas orgulhoso.

Mantenho a distância regulamentar assim como um jogador de futebol na barreira.

A atendente, também de máscara, anota meus pedidos.

E espirra.


81 visualizações3 comentários

©2020 by Os Impostores