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A noite do dia dos namorados.

Atualizado: Ago 10

Dias dos namorados. Talvez 1991.

Trabalhava na JWThompson, uma agencia de publicidade.

Eu e meu querido amigo João Muniz, num desses dias corridos no trabalho, lembramos que precisávamos comprar presente para nossas respectivas, da época.

Combinamos, então, de ir ao Shopping Ibirapuera na hora do almoço. E lá fomos.

Compramos.

Voltando pela Av República do Líbano, presenciamos um assalto no carro que estava à nossa frente.

Os ladrões arrancaram a mãe motorista de dentro do carro, que, instintivamente, correu para tirar sua nenê do banco traseiro. No banco do passageiro estava a mãe da mãe, a vovó, que apavorada quase desmaiou no meio da rua.

Instintivamente, encostamos o carro e saímos para socorrer.

A polícia passa em seguida e, informada do ocorrido, parte, com a viatura, atrás dos ladrões.

Outra viatura chega, leva a vovó, mãe e nenê para o hospital Alvorada do outro lado da rua.

Os policiais intimam, João e eu, a comparecer na delegacia.

Tínhamos uma reunião importante naquela tarde e convencemos os policiais que, em seguida, iríamos comparecer.

E assim o fizemos.

Fim de tarde, e lá estávamos nós, na delegacia da Rua Tutoia.

Ali, um dia, foi o Doi-Codi, lugar onde aconteceram coisas que não gostamos de lembrar, mas que nunca deveremos esquecer.

Chegamos no fim da tarde e o chá de cadeira parecia não ter fim.

Lá pelas 8h da noite, resolvemos ligar de um orelhão para nossas respectivas para avisar que a coisa estava demorada por lá.

Fica o registro aos mais jovens: não havia celular nessa época.

Lá pelas 10h, chega o então jovem repórter Caco Barcelos e sua equipe de reportagem.

Outras equipes de outras emissoras também começam a chegar.

Um dos maiores sequestradores do Brasil acabava de ser preso e chegava à delegacia, que estava em polvorosa.

Lá pelas 11h, vocês imaginam o que passava pela cabeça de nossas respectivas.

Dias dos namorados, ambos inventaram uma história cabeluda e estão passando a noite com as respectivas amantes.

Caco Barcelos ia entrar ao vivo no Jornal da Globo.

Fez-se a luz!

Corremos pro orelhão, ligamos para as esposas e pedimos a elas que ligassem a TV na Globo.

Assim que Caco entrou ao vivo, nos posicionamos como perfeitos papagaios de pirata, sobre os ombros dele.

Pronto.

Tudo estava resolvido.

Fomos vistos por milhões de pessoas, e pelas nossas respectivas esposas.

Chegamos quase 3hs da manhã em nossas casas, esgotados, frustrados por ter que voltar depois para dar depoimento, mas com moral com as patroas.

Quando lembro desse episódio, penso: viva o celular!

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