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Vou dar porrada!

Atualizado: 24 de Mai de 2020

Quando emergiu do ostracismo, o atual ideólogo do bolsonarismo, Olavo de Carvalho, expunha ideias como a de que a proibição de fumar em aviões surgiu de uma aliança entre o comunismo e a Organização Mundial da Saúde.


Ao defender essa e outras esquisitices, abusava do latim, revestindo-as com um verniz de erudição. Passou também a impregna-las de palavrões, tornando-se a caricata figura da ‘Dercy Gonçalves de Suspensórios’.


Como ele, Bolsonaro acha que a esquerda e a OMS estão por trás da pandemia, e também solta o verbo contra adversários políticos, inimigos imaginários e a imprensa.


Um déficit cognitivo o impede de enfeitar com o latinório do guru as estultices que diz. Assim, recorre à surrada ‘linguagem do povo’ tão explorada por Lula (a de Dilma era ininteligível) e a inovações protocolares.


Na agenda oficial e no clipping do Palácio do Planalto, o auê de 22 de abril é apresentado pomposamente como ‘Reunião do Conselho de Ministros’.


É como certos programas acadêmicos que ganham o rótulo de ‘Altos Estudos’. Existe, por exemplo, ‘Escola de Baixos Estudos’?


Que o palavreado seria de baixíssimo calão e que deveríamos tirar as crianças da sala, todos sabíamos. 'Quem não quiser ouvir palavrão, não assista', preveniu o presidente.


Porém, pior que a baixaria da linguagem foi a baixeza de princípios, proporcional à estatura do governo a que nosso futuro está entregue.


Fazendo o estilo Maçaranduba, personagem vivido pelo Casseta Claudio Manoel, Bolsonaro se comportou como o pitboy de muitos músculos e poucas luzes. Só que ao invés de desancar jornalistas e opositores, seus alvos desta vez foram seus parceiros de anabolizante e de cloroquina.