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Xixi de jacaré e Chanel N°5

Atualizado: Abr 18


Beto Lepenta, 50, é figura popular em Ribeirão dos Porcos, distrito de Cambuí, SP.

Baixo, atarracado, passos miúdos, cigarro pendurado no canto da boca, botas gastas, e filharada que se espalha pela região.

Um homem simples, de família simples, só o curso primário e depois a chamada escola da vida.

Talvez por não entender nada de marketing ou storytelling, Beto é empreendedor nato com um toque especial para ganhar dinheiro.

Há 25 anos entrou no negócio da fabricação de cachaça. Virou, mexeu, bebeu, teve grande sucesso com as marcas Porrada de Mãe e Fogo na Jaca, muito apreciadas em toda região e exportadas para o Uruguai e Bolívia.


Vida tranquila mas Beto sentiu o comichão do que os publicitários chamam de novos desafios.

Assim e para surpresa de muita gente anunciou o novo investimento: criação de jacarés.

Mas aqui vai o pulo do felino. Além da pele tão cobiçada e da carne que, dizem, parece lagosta, o interesse no nosso empreendedor é na urina do bicho, considerada o melhor fixador de perfumes do mundo.

Chanel, Dior, Dolce&Gabbana, Lancôme, Hugo Boss, colocam seus euros na mesa em troca do xixi dos representantes da família dos Alligators.


Hoje, a criação já conta com 56 animais mas ainda não está resolvido o problema crucial: como colher o precioso líquido. É complexo.

Mariozinho, da Farmácia Modelo, tentou um esquema com tubos plásticos. Não deu certo e o nosso infeliz farmacêutico ainda perdeu dois dedos.

Marilda, famosa por treinar cachorros, também fracassou e teve seu pit-bull, Jack Estripador, destroçado por um jacaré de péssimo humor.


Ansioso, Beto Lapenta oferece bom dinheiro a quem resolver o problema. Se você tiver alguma sugestão mande bala. Talvez usar coletores de xixi do Laboratório Fleury. É boa rima mas não acredito que seja a solução.


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