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Zanattur

Atualizado: Out 26

Cássio Zanatta está dando valiosas dicas de não-viagem. A primeira foi intitulada de ‘Eu não quero ir a Dubai’. Primeira frase: ‘Eu não quero ir a Dubai’. Segunda: ‘Nunca pensei em ir a Dubai’. Na última, avisa: passada a pandemia, ‘a primeira coisa que eu não vou fazer é ir a Dubai’.


Nosso guia reclama da modernidade da cidade, de suas luzes ‘faiscantes’, do vidro e do aço que revestem as fachadas de seus arranha-céus. Das limusines e BMWs que desfilam por suas avenidas.


Debochado, diz que Dubai fica mais distante da sua São José do Rio Pardo do que a bucólica Campestrinho, onde as galinhas ciscam na pracinha, pesca-se lambari e a molecada joga bola descalça.É lá que Cássio saboreia uma paçoquinha gourmet com Malzbier artesanal, ao som de um sambinha com aquela inconfundível pegada caipira.


Como dizem por aí, o Cássio é uma bola.


O engraçado é que eu o conheci em Las Vegas. Vegas também é longe mas, ano sim ano também, a turma do truco do Cássio parte de São José para os cassinos e outras atrações da feérica cidade americana.


Lá, Cássio é tratado como um verdadeiro emir pelos crupiês, concierges e cafetões. É paparicado como um sheik pelas ‘moças de biquíni’ que, em tom machista, se queixa faltar em Dubai. Burca não é com ele.


Ateu e boêmio, diz professar o batuque com cervejota, condenando as restrições que o islamismo impõe à venda de bebida alcoólica e de outras drogas em Dubai.


Cássio gosta de uma farra. A agitada Sin City é seu local de peregrinação. Já foi visto vagando nu pelo deserto de Nevada e nadando pelado nas fontes do Hotel Bellagio.


Não é à toa que lhe atribuem a criação do célebre slogan ‘What happens in Vegas stay em Vegas’.


Voltando à joia dos Emirados, Cássio é demolidor: ‘Dubai é seco demais, faz calor de dia e frio de noite’, ‘não tem botecos nem esquinas’ e ‘tem muito rico, acho que é o lugar com mais rico por metro quadrado no mundo’. Percebem o grau do esculacho? Dubai é como Brasília.


Nas entrelinhas, o ladino Cássio dá uma alfinetada em alguns desafetos, egressos do sistema publicitário: ‘Rico costuma ser um troço chato’, troça com o Fabio Fernandes e o Marcello Serpa. ‘Muito rico é um troço chatíssimo’. Aí já é com o Nizan e o Olivetto.


Um provocador, o nosso Cássio.


Ao final da resenha, com aquela sarcástica falsa modéstia que lhe forja o caráter, ele nos convida a uma reflexão: ‘O problema pode estar em mim, não em Dubai’.


Próxima parada, Abu Dhabi.

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